Memorial da Rua São Joaquim

Este blog tem como objetivo resgatar a memória dos moradores e ex-moradores da Rua São Joaquim, do bairro Glória da cidade de Porto Alegre - RS.

sábado, 20 de dezembro de 2008

...LÁ VAI O TREM COM O MENINO

"... lá vai o trem com o menino

lá vai a vida a rodar

lá vai ciranda e destino

cidade e noite a girar

lá vai o trem sem destino

pro dia novo encontrar

correndo vai pela terra

vai pela serra

vai pelo mar

cantando pela serra do luar

correndo entre as estrelas a voar

no ar

piuí! piuí piuí

no ar

piuí piuí piuí

adeus meu grupo escolar

adeus meu anzol de pescar

adeus menina que eu quis amar

que o trem me leva e nunca mais vai parar..."

(Trecho de Poema Sujo, de Ferreira Gullar, 1975)

domingo, 7 de dezembro de 2008

Tudo que eu preciso saber aprendi no Jardim de Infância


TUDO QUE EU PRECISO SABER APRENDI NO JARDIM DE INFÂNCIA
(Robert Fulghum)

Tudo o que eu preciso saber sobre a vida, o que fazer e como ser, eu
aprendi no Jardim de Infância. A sabedoria não estava no topo da
montanha de conhecimento que é a faculdade, mas sim, no alto do monte
de areia do Jardim de Infância. Essas são algumas coisas que eu
aprendi:

* dividir tudo
* ser justo
* não machucar ninguém
* colocar as coisas de volta no lugar de onde foram tiradas
* arrumar a própria bagunça
* nunca pegar o que não é seu
* pedir desculpas sempre que magoar alguém
* lavar as mãos antes das refeições
* dar descarga
* leite com bolacha faz bem para a nossa saúde
* viver uma vida balanceada: aprender um pouco, desenhar um
pouco, pintar um pouco, cantar um pouco, dançar um pouco, brincar um
pouco e trabalhar um pouco todos os dias
* tirar uma soneca todas as tardes
* quando sair na rua: olhar os carros, dar as mãos e ficar junto

Lembra daquela sementinha de feijão no potinho de Danone? As raízes
crescem para cima e ninguém sabe com certeza como ou porque, mas todos
nós somos exatamente como ela. Peixinhos, passarinhos, gatinhos e
cachorrinhos e até mesmo a sementinha de feijão no potinho de Danone -
todos morrem - assim como nós.

E então lembre dos livros de Chapeuzinho Vermelho e das primeiras
palavras que você aprendeu. As maiores de todas: MAMÃE e PAPAI. Tudo o
que você precisa saber está lá em algum lugar. Regras sobre a vida, o
amor, saneamento básico, ecologia, política, igualdade e fraternidade.
Pegue qualquer um desses termos e extrapole para sofisticadas palavras
da linguagem adulta e então aplique em sua vida familiar, trabalho,
governo ou mundo, e tudo continua firme e verdadeiro.

Pense como o mundo seria melhor se todos nós - o mundo inteiro -
tomasse leite com bolacha às três horas da tarde, todas as tardes e
depois, deitássemos com nossos travesseiros no sofá da sala para uma
soneca. Ou então, se todos os governos tivessem como política básica
sempre colocar as coisas de volta no lugar de onde foram tiradas e
também arrumar suas próprias bagunças.

E continua verdade, não importa sua idade, quando sair para o mundo:
dê as mãos e fique junto!(Texto de Robert Fulghum)
OBS: Foto da experiência com sementes de feijão da Turma C do 2º ano da Escola E. B. 1 de Montenegro,Faro, Algarve, Portugal

O jogo de rouxinol



O jogo de rouxinol

O jogo de rouxinol, também conhecido como macaco ou pica-pau, foi um jogo de inverno, popular entre os jovens dos bairros da periferia da cidade de Porto Alegre, bem como do interior do Estado.
O testemunho a seguir foi coletado em 1967, na rua São Joaquim, bairro Glória, rua na época de chão batido. Neste período ainda dominavam as brincadeiras de rua, a reunião de vizinhos, amigos, pais e filhos nas calçadas para o período de lazer. As brincadeiras infanto-juvenis eram naquela época mais simples, realizadas com parcos recursos materiais - no caso do rouxinol um pedaço de cabo de vassoura usada -, foram paulatinamente substituídos por brinquedos sofisticados, e o tempo livre foi cada vez mais ocupado pela televisão.

As regras do jogo de rouxinol:
O jogo de rouxinol é disputado entre dois competidores, normalmente o número de jogadores e bem superior (4, 10 , 15 ou mais pessoas).
Os jogadores devem marcar um determinado número de pontos (“tacos”) estipulado antes de começar o jogo. É necessário que tenha um jogador localizado dentro da raia – círculo com um raio de dois a três metros aproximadamente – marcada no chão; ele deve rebater com um bastão, ou “taco” – de altura em torno de 70 cm – o rouxinol ou “taquinho” de madeira roliça com mais ou menos um palmo de comprimento, ou 17 cm. O rouxinol tem como característica ser afinado nas duas pontas que não tocam o chão, como se fosse um lápis com duas pontas. Os jogadores de fora da raia arremessam para dentro dela o rouxinol que deve ser rebatido no ar, após o rouxinol é novamente rebatido mais três vezes.

A contagem dos pontos é realizada medindo-se à distância em linha reta do “taquinho” que foi rebatido e a raia. Utiliza-se como unidade de medida o próprio “taco” que está sendo utilizado no jogo. Revezam-se os jogadores na raia, quando o jogador dentro dela não conseguir rebater o “taquinho” e este cair dentro da raia (“queimar a raia”), ou após o rouxinol ser rebatido as três vezes regulamentares.

OBS: Foto “Rouxinol”: Reprodução do Painel nº 12 (rouxinol, pica-pau ou macaco localizado no canto de baixo a direita), pág. 53, do livro de Glaucus Saraiva, Catálogo em Prosa e Verso (Mostra do Folclore Infanto-Juvenil), Porto Alegre, Corag, sem data [Ano Internacional da Criança - 1979]. Governo do Estado do Rio Grande do Sul/Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo/Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.