Memorial da Rua São Joaquim

Este blog tem como objetivo resgatar a memória dos moradores e ex-moradores da Rua São Joaquim, do bairro Glória da cidade de Porto Alegre - RS.

quinta-feira, 30 de outubro de 2008

Brincadeiras de Criança


Brincadeiras de Criança
Letra e música Flávio Almeida Patrocínio
http://br.youtube.com/watch?v=wqANHZZtAYI


Tem sempre uma criança
brincando dentro da gente.
Sua lembrança aliança
entre passado e presente.

Par ou ímpar, estátua, totó,
pipa, aviãozinho de papel.
Corrida de saco, dominó,
amarelinha e passa-anel.

Adivinhas, jogo de botão,
cabra-cega e queimada.
Palitinhos, dama, pião,
morto-vivo e charada.

Quem um dia não brincou
não sabe o que perdeu.
Pela infância da vida passou,
só passou mas não viveu.

Danças, cantigas, patinete,
boca de forno, bilboquê.
Caça-palavras, detetive e bete,
barra-manteiga, bambolê.

Peteleco, mímica, carrinho
e chicotinho-queimado.
Bolinha de gude, corda, trenzinho,
rolimã e marcha-soldado.

Quebra-cabeça, parlendas, peteca,
pelada de rua, escolinha.
Trava-língua, memória, boneca,
ioiô, salva-latinha.

Caça-tesouro, forca, casinha,
gol a gol, fincas no rio.
Caiu no poço, cozinhadinha
e telefone sem fio.

Faz-de-conta, polícia e ladrão,
perna-de-pau, rei e rainha.
Médico, visita, assombração,
prenda e ciranda-cirandinha.

Estilingue, dado, sô lobo,
pique de pegar e de esconder,
vaca-amarela, enganou o bobo...
Por que é que eu fui crescer?
Por que é que eu fui crescer?
Por que é que eu fui crescer?
Por que é que eu fui crescer?

Viva seu lado criança,
a pura felicidade,
enche a vida de esperança
e o coração de saudade.

Tem sempre uma criança
brincando dentro da gente,
brincando dentro da gente...


Voz: Imperatriz Queiroz (Perinha)
Violão: Emídio Queiroz
Produção: Ozdboz
Gravação: Estúdio Oz

quarta-feira, 29 de outubro de 2008

Quem quer brincar?


Assisti, ontem, 28/10, à palestra “Para um modelo de brinquedotecas na América Latina” da professora Tânia Ramos Fortuna (FACED/UFRGS). Pedagoga, Especialista em Piaget, Mestre em Psicologia Educacional, professora de Psicologia da Educação da Faculdade de Educação da Universidade Federal do Rio Grande do Sul.

A professora proferiu palestra sob este título recentemente na Colômbia. Comentou que este país está em guerra civil desde 1964, onde populações inteiras foram obrigadas a saírem de suas regiões de origem e foram morar em outros lugares longe do conflito. O movimento das brinquedotecas neste país e nas zonas de refugiados é intenso, inclusive a participação das crianças nas brinquedotecas é uma forma de minorar suas vicissitudes.

A professora relatou o que seria uma brinquedoteca ideal, bem como a que ela aposta como a mais viável para “Nuestra América”, que ela chamou de “Brinquedoteca Suficiente”. A íntegra da palestra estará, em poucos dias, disponível no site do programa de Extensão. Ela comentou que no início de seu trabalho foi difícil a aceitação por parte dos alunos e da direção das escolas, a idéia de aliar jogos e brincadeiras com o ensino. Hoje este tipo visão está superado. A professora Tânia acredita na contribuição da brincadeira para a transformação social em uma perspectiva emancipatória. Ela acha que deveria haver brinquedotecas para todas as idades.


A professora foi pioneira na Faculdade de Educação da UFRGS no ensino da arte de brincar aliada a educação, e criou o Programa de Extensão Quem quer Brincar?

A palestra faz parte de uma programação comemorativa dos dez anos do Programa.

29 de outubro – quarta-feira
Oficina de vivência e recuperação de jogos e brinquedos com sucata – professora Anelise Prates (Colégio Pastor Dohms)
30 de outubro – quinta-feira
Oficina de jogos africanos – professora Michelle Brugnera (Colégio Sevigné)
Programação especial do programa de extensão Quem quer brincar?
A partir das 18h30min, Sala 101 e hall da Faculdade de Educação (Av. Paulo Gama, 110 – Campus Centro), entrada franca.

INFORMAÇÕES

Telefone: 3308 3432
E-mail: quemquerbrincar@ufrgs.br
SITE: www.ufrgs.br/faced/extensao/brincar
OBS. Nosso blog está aberto aos depoimentos sobre jogos & brincadeiras de hoje e de ontem.

terça-feira, 28 de outubro de 2008

Manifesto aos moradores e ex-moradores da Rua São Joaquim




Alô amigos e amigas:



A memória é a imaginação do povo. Câmara Cascudo


Este blog terá como foco a Rua São Joaquim pertencente ao Bairro Glória de Porto Alegre nos seus aspectos da economia da rua, trocas sociais e lazer. Nosso material primário será um resgate da memória dos moradores e ex-moradores. Este blog não será circunscrito ao espaço geográfico desta rua, faremos comentários da “Grande São Joaquim”, ou seja, a memória será reforçada por marcos e espaços públicos, como por exemplo: Grupo Escolar Vera Cruz, Colégio Assunção, Campinho, Pracinha George Black, Igreja Nossa Senhora da Glória, Cine Glória, Cine Alvorada, Arroio Cascatinha, Morro da Glória, Colégio Estadual Júlio de Castilhos e outros.

Assim sendo, a memória não estará encastelada em um só ponto, mas lançará mão de vários referenciais na reconstrução da memória.

Convidamos então a participar todos os interessados neste convívio no espaço deste blog, nesta rua larga da esperança.
E será democrático e aberto a todos, inclusive estará aberto a memória de outras ruas da cidade, do Estado, do País e do Mundo.

Nosso objetivo principal é resgatar, preservar e divulgar a história e a memória dos moradores e ex-moradores da Rua São Joaquim e fatos conexos ocorridos no Bairro Glória e na cidade de Porto Alegre. Através do blog propiciaremos às pessoas ligadas por laços afetivos a Rua São Joaquim, e demais pessoas interessadas no assunto, acesso aos depoimentos, comentários ou fotos que se constituirão num dos aspectos mais ricos e importantes da nossa cultura, retratando costumes, idéias e valores de cada época. Nosso único compromisso é com a divulgação do acervo memorialístico e de fotos ou ilustrações que dêem uma visão dos fatos relatados. Não temos nenhum objetivo comercial, nossas imagens, depoimentos, comentários ou fotos serão obtidos livremente de nossos colaboradores e nos diversos sites da internet; dos quais divulgaremos todos os créditos, alertamos que não poderão ser violadas as leis de direitos de autor ou qualquer outra norma legal vigente no Brasil. É vedada a publicação dos depoimentos, comentários, fotos e outros materiais no todo e em parte, bem como a reprodução dos mesmos para fins de venda a terceiros.

Este blog tenta resgatar o espaço público da rua, e como disse Rubem Alves: é preciso retomar este espaço de convívio fraternal de tempos idos que nas últimas décadas ficou rarefeito e substituído pelo medo da criminalidade, pelo automóvel, pelas opções individuais de lazer.

O blog tentará reconstruir o Centro Histórico “Rua São Joaquim” de cada um e de todos os cidadãos republicanos e de boa vontade, nas palavras de Cláudia Laitano:"As pessoas, como as cidades, desenham seus mapas a partir de um determinado Centro Histórico - um país que ficou para trás, uma cidade, uma praça onde a gente ralou os joelhos. Não importam a distância, o tempo nem mesmo a constatação de que parte do nosso Centro Histórico evaporou-se do mundo concreto para virar bingo ou templo religioso: o espaço da infância e da adolescência é patrimônio tombado na nossa memória. (...) Não que o Centro Histórico confunda-se sempre com uma espécie de paraíso perdido - às vezes é um lugar de onde se fugiu e para onde não se quer voltar nem em cartão-postal. Mas é ali, no nosso primeiro ponto de referência geográfico, que as fugas e os eventuais retornos começam a ser tramados antes mesmo que a gente se dê conta. Se sabemos que Fellini nasceu em Rimini, que Itabira é um retrato na parede de Drummond ("mas como dói") e que Caetano Veloso começou a escutar música em uma certa rádio de Santo Amaro é porque o Centro Histórico, às vezes, não é só um lugar no mapa, mas uma maneira de entender, ou não entender, o resto do mundo." (Crônica "Centro Histórico" publicada no livro Agora eu era, Ed. Record, pp. 162-163)