Memorial da Rua São Joaquim

Este blog tem como objetivo resgatar a memória dos moradores e ex-moradores da Rua São Joaquim, do bairro Glória da cidade de Porto Alegre - RS.

domingo, 7 de dezembro de 2008

O jogo de rouxinol



O jogo de rouxinol

O jogo de rouxinol, também conhecido como macaco ou pica-pau, foi um jogo de inverno, popular entre os jovens dos bairros da periferia da cidade de Porto Alegre, bem como do interior do Estado.
O testemunho a seguir foi coletado em 1967, na rua São Joaquim, bairro Glória, rua na época de chão batido. Neste período ainda dominavam as brincadeiras de rua, a reunião de vizinhos, amigos, pais e filhos nas calçadas para o período de lazer. As brincadeiras infanto-juvenis eram naquela época mais simples, realizadas com parcos recursos materiais - no caso do rouxinol um pedaço de cabo de vassoura usada -, foram paulatinamente substituídos por brinquedos sofisticados, e o tempo livre foi cada vez mais ocupado pela televisão.

As regras do jogo de rouxinol:
O jogo de rouxinol é disputado entre dois competidores, normalmente o número de jogadores e bem superior (4, 10 , 15 ou mais pessoas).
Os jogadores devem marcar um determinado número de pontos (“tacos”) estipulado antes de começar o jogo. É necessário que tenha um jogador localizado dentro da raia – círculo com um raio de dois a três metros aproximadamente – marcada no chão; ele deve rebater com um bastão, ou “taco” – de altura em torno de 70 cm – o rouxinol ou “taquinho” de madeira roliça com mais ou menos um palmo de comprimento, ou 17 cm. O rouxinol tem como característica ser afinado nas duas pontas que não tocam o chão, como se fosse um lápis com duas pontas. Os jogadores de fora da raia arremessam para dentro dela o rouxinol que deve ser rebatido no ar, após o rouxinol é novamente rebatido mais três vezes.

A contagem dos pontos é realizada medindo-se à distância em linha reta do “taquinho” que foi rebatido e a raia. Utiliza-se como unidade de medida o próprio “taco” que está sendo utilizado no jogo. Revezam-se os jogadores na raia, quando o jogador dentro dela não conseguir rebater o “taquinho” e este cair dentro da raia (“queimar a raia”), ou após o rouxinol ser rebatido as três vezes regulamentares.

OBS: Foto “Rouxinol”: Reprodução do Painel nº 12 (rouxinol, pica-pau ou macaco localizado no canto de baixo a direita), pág. 53, do livro de Glaucus Saraiva, Catálogo em Prosa e Verso (Mostra do Folclore Infanto-Juvenil), Porto Alegre, Corag, sem data [Ano Internacional da Criança - 1979]. Governo do Estado do Rio Grande do Sul/Secretaria de Cultura, Desporto e Turismo/Instituto Gaúcho de Tradição e Folclore.

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