Memorial da Rua São Joaquim

Este blog tem como objetivo resgatar a memória dos moradores e ex-moradores da Rua São Joaquim, do bairro Glória da cidade de Porto Alegre - RS.

quarta-feira, 5 de novembro de 2008

O Campinho


O campinho

Em muitos bairros residenciais de Porto Alegre ainda sobrevive a prática de futebol nos “campinhos”. Qualquer pedaço de terra – um terreno baldio, quintal – serve de pretexto para as “peladas”, partidas disputada entre amigos, a maioria estudantes, ou mesmo trabalhadores que se reúnem para jogar futebol em locais improvisados.
O campinho onde já joguei nos anos 60 e 70, situado na Rua São Joaquim no bairro Glória, não foge à regra. Como todo o “marginal”, ele também não pode ser comparado, por exemplo, a um campo de futebol oficial. Ele é apenas um arremedo de campo, onde o espírito varziano é cultivado. Entretanto, cumpre perfeitamente o papel de congregar amigos numa pelada, disputada e divertida.
Acha-se localizado nos fundos de um terreno elevado. Este, quando alcança a linha de fundo do campinho, torna-se plano; algumas árvores, de pequeno porte, fornecem alguma sombra. Uma grama rala que reveste o terreno é utilizada como arquibancada natural. Aquelas árvores defendem do sol os participantes que ficam assistindo ao jogo. Quem está situado neste ponto tem à sua esquerda, na linha lateral, uma fileira de arbustos baixos, um emaranhado de gravetos cortados, margeando a lateral; logo após uma ruela e, ao lado desta, chalés de madeira, de alvenaria e mistos, onde moram sete famílias. Na lateral direita o mesmo ocorre; em primeiro lugar vemos uma parede alta de alvenaria parte dos fundos de duas casas lindeiras ao campinho e, no restante do trecho uma cerca viva de taquareiras verdejantes. Na linha de fundo oposta temos um complexo de taquareiras e frondosas paineiras que criavam uma barreira intransponível para a bola não cair no riacho Cascatinha, canal onde fluía, até recentemente , ao ar livre, o esgoto cloacal e pluvial do bairro e áreas vizinhas.
As goleiras têm como postes caibros de madeira, e o travessão de uma delas é um pedaço de taquara amarrada por fios de luz. Às vezes, com um chute forte no travessão, é preciso recolocar a taquara amarrada no seu devido lugar, quando não ocorre ser simplesmente destruída por um dos jogadores.
A dimensão do campinho não alcança um quarto de um campo oficial; não existe outra marcação além das goleiras e das linhas laterais e de fundo; as primeiras, maiores, um pouco mais que as de fundo. Este detalhe acompanha a diretriz que afirma: o comprimento de um campo deve ser maior que a sua largura.
No meio do campo existem pequenas elevações e buracos; após uma chuva, os própios jogadores devem drenar as poças de água.
Com todas essas improvisações, o campinho, forma carinhosa como o chamam seus freqüentadores há mais de quarenta anos, cumpre sua função social primordial de área de encontro e lazer. Este oásis foi o único – entre cinco campos de várzea que existiam nos anos 60 e 70 num raio de 1 km da rua São Joaquim – preservado até agora , porque comentam existe um antigo plano da Prefeitura Municipal para, futuramente, construir uma escola no local. A pergunta que se faz é como preservar estas áreas “marginais”, inseridas que estão no ritmo da crescente urbanização e mercantilização dos espaços públicos das grandes cidades? [Salvatore Santagada, junho de 1978]
Nota:
1) Hoje o riacho Cascatinha está canalizado.
2) Em 2004, o corredor que leva para o “Campinho” foi fechado, com um portão de ferro, por problemas de segurança

1 Comentários:

Blogger Unknown disse...

Neste campinho,surgiram muitos craques que tive a honrra de fazer belissimas jogadas com alguns deles,Joani,Zé,Beto,Lisca,Leite,Maninho,Jarbas,Wagner,Pato,Nando,Macaco,Nelson Careca,entre outros.Tempo bom,onde só jogavamos bola e não incomodava ninguem.

17 de novembro de 2008 às 14:28  

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